sexta-feira, 25 de junho de 2010

vazio

faz dois dias. que não o vejo. o que está passando na tv? não faço a mínima ideia. o audio tão alto castiga a cama do hotel, a voz grossa do meu irmão faz minha cabeça latejar. eu poderia me levantar e tomar um comprimido, tomar um bom banho e esticar as pernas. mas pra que eu faria isso? por que razão, por qual motivo? se sei que não vou o ver, que adianta, tentar tratar o enjoo?
é como se estivessem cavando um buraco fundo em mim, e no vazio, nada pudesse fazer. indisposta, sim? não quero sair da cama, ou do quarto, mas é São João e a família quer que vamos dançar. eu não quero, não quero! me deixem só.
eu me despojo mais na cama e espero as lágrimas fluírem. um nó forma-se em minha garganta, mal posso engoli-lo. eu suspiro.eu olho para os lados e vejo que aquela mesmice e a ausencia dele já são demais para mim. não tem sentido se mexer sem ele.
e me sinto tão triste por não estar com ele, quanto por saber o quão sou ridiculamente dependente. o pior, é que é como se eu fosse uma depéndente de heroína... e não há heroina no mundo, nada mais, para ser consumida.
paixão platonica, haha. era só o que me faltava

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